Dois poemas sem título

I.

A morte em Veneza perdeu a graça
e as crianças morrem velhas e dopadas
em Paris, Amsterdam, New York, Pindorama…

Meus olhos não têm lágrimas para chorar
pelos inocentes em suas mortes inúteis.
Cansaram de toda bandeira e só enxergam
a beleza sem trégua que o mundo carrega
tanto na paz como na guerra.

Brasília, 1985

II.

Muito mais que românticos, mulheres são seres semânticos.
homens são epifenômenos: alucinados a buscar tradução
para o ritual infinito das mulheres,
para cada acaso carregado de sentido,
o sentido apenas um belo vestido
a cobrir abismos da fêmea palavra.

Brasília, 2006

2 comentários

  1. Avatar de Renio
    Renio · abril 15, 2006

    Começo a comentar só para tirar o horrível “Sem comentários”… Já pedi para mudarem esse template, que lembra a ditadura, mas até agora nada…
    Já percebi que somente artigos que já têm comentário inicial, recebem outros comentários…

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  2. Avatar de Cláudio
    Cláudio · maio 2, 2006

    Adorei o epifenômeno.

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