Der Jasager



que somos nós, cegos assim?
mundo escuro, triste braille sem carícias…
grito em gestos berrantes de mudo
que somos nós cegos,
assim que negra luz me acende os dentes
e o desejo borbulha nestas bocas dementes.
Brasília, 1986/2011

No que deve ser o último da safra 2010, a inspiração veio de uma sequência de fotos postada pela Patrícia Del Rey no seu perfil no Facebook. Como não pude usar as fotos em si, restou o poema, que entrego aos meus escassos leitores…
Nietzsche não comia cachorro quente, nem Kant:
É fria! sempre categórico ele dizia, num rompante
E os dois tristes viam, na floresta negra da cinza judia
A nação das salsichas a viajar na maionese que vencia.
Brasília, 2010
A memória rã pula na frente do presente,
a sapo cururu deixa o agora no escuro.
Memória girino, só essa ficou de menino
E a gia de lembrar do eterno hoje gemia.
Toda memória apenas perereca, inglória, no fundo
De toda lembrança, um brejo do tamanho do mundo.
Rã, sapo, cururu, gia, girino e perereca: é tudo anuro
e memória é tudo aquilo que nos esconde o futuro.
Brasília, 2010