Sobre ratos e homens

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Mais um dos tempos da Víbora. Resolvi apresentar como poster, que era a idéia original, mas faltou inspiração na época (para não falar em Photoshop…). Aparentemente, hoje em dia, os ratos pulam de um barco para o outro na hora H… e ainda levam o queijo com eles para a Suíça.

Boca Suja

BocaSujaCut

Esse poema foi publicado em 1986 na mui saudosa revista Víbora, que eu ajudava a editar na época (principalmente, cuidava da revisão). A arte era igual, mas um problema no fotolito prejudicou o resultado. Chamavam isso de arte xerox, coisa chique na época…

Século das luzes

Habitam meninas em meus olhos,
Falsos úteros de vidro devassado,
Retinas tintas onde se concebe amor
E a cor das coisas concebe o mundo.

Olhos são corações transparentes
Onde a luz das coisas nua se atira:
Reis, sóis, bichos vivos nas covas da face.

João Pessoa/Brasília, 1978-2006

Mar Morto (versão alternativa)

O mundo é dos vivos, a memória dos mortos.
Quieto vejo a morte comer as bordas do prato
onde comi e afundam meus pulsos cortados
de medo & amor dos que partiram de mim,
Lembrando seus dias como se fossem
Tigres coagulados em salto eterno,
Como se fossem mares fósseis salgando as retinas,
Como se dormissem assim, tão quietos e terríveis.

João Pessoa/Brasília, 1987

Brasília, 1987

Self-portrait

Não troco meus olhos de inseto
Por dois entomologistas de óculos:
Sou caótico, apoteótico, humano!
Figurinha difícil, ás de manga-espada.
Manhã cedo, meu bafo é de onça
E na saliva revolta eu afogo
Mil gramáticas em naufrágio universal.

Brasília, 2000