Four de ahs
Dois de paus duros na mão
Mangam do valete amolecido,
Que a rainha insaciável paga pra ver.
Enquanto o rei, na moita,
Chupa a manga do ás.
Brasília, 1983
Dois de paus duros na mão
Mangam do valete amolecido,
Que a rainha insaciável paga pra ver.
Enquanto o rei, na moita,
Chupa a manga do ás.
Brasília, 1983
Enquanto há língua, há esperança:
Que haja palavra, que haja ouvido
Que haja desejo, que faça sentido.
Enquanto há língua, há esperança,
A esperança apenas uma palavra,
Entre tantas deste mar português.
Enquanto há língua, há esperança:
O discurso deita e rola na lama,
Na cama suja da paixão feita em cacos.
Enquanto há esperança na língua,
Me atiro no Aurélio como num rio,
Meu amor arpoando teus muitos nomes.
Brasília, 2006

Este poema é de 1988 e nasceu junto com a arte, a partir de uma foto de cena da Tutti, feita pelo Almir Israel.
Recentemente, refiz a arte e virou este poster, em formato Super B (329×483).
I.
A morte em Veneza perdeu a graça
e as crianças morrem velhas e dopadas
em Paris, Amsterdam, New York, Pindorama…
Meus olhos não têm lágrimas para chorar
pelos inocentes em suas mortes inúteis.
Cansaram de toda bandeira e só enxergam
a beleza sem trégua que o mundo carrega
tanto na paz como na guerra.
Brasília, 1985
II.
Muito mais que românticos, mulheres são seres semânticos.
homens são epifenômenos: alucinados a buscar tradução
para o ritual infinito das mulheres,
para cada acaso carregado de sentido,
o sentido apenas um belo vestido
a cobrir abismos da fêmea palavra.
Brasília, 2006