Meia palavra não basta

Enquanto há língua, há esperança:
Que haja palavra, que haja ouvido
Que haja desejo, que faça sentido.

Enquanto há língua, há esperança,
A esperança apenas uma palavra,
Entre tantas deste mar português.

Enquanto há língua, há esperança:
O discurso deita e rola na lama,
Na cama suja da paixão feita em cacos.

Enquanto há esperança na língua,
Me atiro no Aurélio como num rio,
Meu amor arpoando teus muitos nomes.

Brasília, 2006

2 comentários

  1. Avatar de Renio
    Renio · abril 16, 2006

    O poema abre a temporada de pesca…

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  2. Avatar de Nevinho
    Nevinho · abril 19, 2006

    Rênio, de caso vivido, havia língua e havia esperança de que as palavras fossem ouvidas e ativassem certos sentidos. Mas de nada adiantaram saliva e desejo. Aprendi que quando a mulher (alguma delas, faço essa enorme concessão) se dá a uma decisão não há no Aurélio e Houaiss juntos argumento que a faça voltar atrás. Nem Deus, hereticamente arrisco.

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