O mundo é dos vivos, a memória dos mortos.
Quieto vejo a morte comer as bordas do prato
onde comi e afundam meus pulsos cortados
de medo & amor dos que partiram de mim,
Lembrando seus dias como se fossem
Tigres coagulados em salto eterno,
Como se fossem mares fósseis salgando as retinas,
Como se dormissem assim, tão quietos e terríveis.
João Pessoa/Brasília, 1987
Brasília, 1987
Este poema escrevi para Athayde Araújo, meu pai, morto, muitos anos depois, no longo e ainda inacabado processo de superação de sua morte. E costumo trazê-lo à tona quando morre alguém próximo: por alguma razão, ele emergiu entre tantos possíveis. Talvez esse dia chuvoso no Planalto Central…
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A arte explicando o inexplicável sentimento que acompanha a morte. Sempre.
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